Geografia

GPS (Global Position System): S 20º 20.578' W 046º 50.855'
Área: 1382.5 km²
Altitude: 684 metros
Clima: temperatura média anual de 20,7° C
Índice médio pluviométrico anual: 1.426,3 mm
Habitantes: 7.000 ha
Importantes rios: Rio Santo Antônio, Ribeirão da Forquilha, Ribeirão Bom Jesus e Represa de Peixoto
Bacias Hidrográficas: Bacia do Rio Grande
Referências de Distâncias: Ribeirão Preto: 180Km, Belo Horizonte: 434 km, Brasília: 750 km, Rio de Janeiro, 700 km, São Paulo (via Mococa) 440 km, São Paulo (via Ribeirão Preto) 500 km.

 

O Cerrado

O Cerrado é o segundo maior Bioma da América do Sul, perdendo em tamanho somente para a Floresta Amazônica.
 

Ocupa quase 25% do Brasil e é também o mais brasileiro dos biomas sul-americanos pois, excetuando algumas pequenas áreas na Bolívia e no Paraguai, está totalmente inserido no território nacional.
 

Sua flora riquíssima só agora começa a ser conhecida, existindo cerca de 1000 espécies de árvores, 3000 espécies de ervas ou arbustos e quase 500 trepadeiras.
 

A topografia essencialmente plana e as vegetações esparsas de árvores baixas e retorcidas são pouco imponentes quando comparadas às nossas matas e tem lhe conferido a fama de 'vegetação monótona'.
 

Pura ignorância. Quem conhece o cerrado intimamente não de cansa de elogiar a delicada beleza e o surpreendente exotismo dessa vegetação tão acessível e convidativa ao homem, em que as folhas, flores e frutos se apresentam quase sempre ao alcance da mão ou do olhar curioso.

 

A vida no Cerrado

O cerrado vive sob uma perpétua oscilação entre a época das chuvas e a época da seca. Durante a estação seca, que é no inverno, pode ficar de 2 a 6 meses sem chover, dependendo do ano e da região. Todos os dias faz sol, e a grama e a vegetação rasteira seca progressivamente, podendo ocorrer grandes queimadas, principalmente no final da seca. A vegetação sofre, mas rebrota rapidamente, pois as plantas do cerrado têm muitas adaptações para agüentar as secas e as queimadas com as quais têm evoluído por milhões de anos.
 

A maioria das árvores do cerrado tem raízes extensas que buscam a água presente nas profundezas do solo, e suas folhas são sempre verdes, mesmo no auge da seca; suas cascas grossas e corticentas protegem os troncos da ação do fogo. A vegetação rasteira apresenta xilopódios, bulbos, rizomas e gemas subterrâneas que resistem dormentes mesmo quando toda a parte aérea da planta desaparece, rebrotando com as primeiras chuvas de primavera, geralmente em setembro.
 

A estação das chuvas é um período de intenso crescimento para as plantas do cerrado. Nos meses de novembro, dezembro e janeiro chovem copiosamente, podendo ocorrer tempestades. As folhas das plantas se apresentam muito verdes e viçosas, há poucas flores, porém muitos frutos. Muitas plantas do cerrado produzem seus frutos nesta época, que é quando os animais do cerrado estão se acasalando e também quando o Cerrado abriga muitas espécies de aves migratórias.
 

As chuvas freqüentes de verão também oferecem condições ideais para a germinação e o estabelecimento das pequeninas plântulas, que precisam se encontrar já profundamente enraizadas para enfrentar a seca que não demora a chegar.

 

Ameaças à Conservação do Cerrado

Os solos do cerrado são geralmente pobres e ácidos e durante muito tempo foram considerados impróprios para a agricultura. As grandes fazendas de cerrado eram tradicionalmente utilizadas para criação extensiva de gado, o que causava relativamente pouco dano à flora e à fauna.
 

Nos últimos 30 anos, porém, a progressiva mecanização da lavoura e a facilidade de limpar e adubar a terra tem contribuído para uma devastação acelerada da vegetação nativa e estima-se que ca. de 40% do bioma já tenha sido desmatado. O plantio em larga escala de soja, milho, arroz e o desmatamento para extração de carvão são os principais inimigos do cerrado e, infelizmente, somente 1,5% é preservado na forma de Reservas.
 

Este fato tem preocupado as autoridades e a população, sendo que em 1990 em decreto do governo permitiu a criação de um novo tipo de reserva: a Reserva Particular de Patrimônio Natural (RPPN). Vinculada ao IBAMA e perpetuada em cartório, a RPPN é uma reserva reconhecida pelo governo como permanente, sem perder, no entanto seu caráter particular, podendo ser herdada ou vendida.
 

Na década de 1990, foram criadas 24 RPPNs no Bioma Cerrado. Este número mostra a crescente preocupação da população em preservar o que ainda resta deste patrimônio natural, belo, biologicamente rico e associado à tradicional cultura sertaneja que está desaparecendo tão rapidamente.

 

Referência Bibliográfica
Proença, Carolyn
Flores e Frutos do Cerrado
Brasília: Editora Universidade de Brasília: São Paulo: Imprensa Oficial do Estado, 2000.